Postagens

Dores e ardores

Imagem
Há dores e ardores Há dores e dores. Há dores que ardem. Estas dores que ardem são as que estraçalham por dentro. Que ardem enquanto doem. Que mesclam a ardor da pele e a dor nos ossos. Mas, doi na pele e nos ossos sem tocar. Sem uma posição de socos nos corpos as dores violentam os sentintes. Sentintes de dores assim não pensam como diria o Galeano. Somente sente. Estas parecem ser dores insuportáveis. Ou melhor. O corpo suporta. Mas, fica somente um calhamaço de corpo. Estas dores desintegram as pessoas. Vi um homem sentindo dor assim. Urrava de dor. Sabia o que provocava a dor, mas, não entendia porque dois e ardia. Mas, às vezes ardia mais e às vezes dois mais. Em duas cenas, na chegada e na saída da cena que provocou a fatídica dor se mesclaram a dor e o ardor. Estas dores são como os ciscos que caem nos olhos enquanto o graveto penetra. Não se trata de pouca dor. O líquido azedo desce sobre a pela e atua como pimenta na ferida. Que dor violenta! Estas dores que ardem são in...

Quando a morte é celebrada

Imagem
  Quando a morte é celebrada É incomodante no Brasil o preto sem dono. Preto sem dono não merece de existir. Esta máxima tem sido utilizada para controlar corpos pretos desde a mais douradoa escravidão da história nas Américas, que foi a implementada sobre o povo vindo forçadamente de África em Navios negreiros. Na viagem ficavam alguns corpos indomados no mar. Na chegada outros tantos indomados na terra e quando não se “adaptava a hospedagem”, mais uma pá de corpos eram empilhados e expostos para ensinar aos demais o significado de corpo negro em terras tupiniquins. Assim o Brasil se fez. Sobre corpos negros desalmados, sobre sangue de preto jorrado e sob a sensação de uma não gente a vagar na terra.  Após as quase quatro décadas de escravidão forçada no Brasil algumas coisas mudaram no sentido da inclusão dos descendentes deste povo. Especialmente na primeira década deste século. Mas, ainda persegue na mente deste país a ideia de não gente. Avança-se na ideia de inclusão até...

O mito da linguagem juvenil

Imagem
  O MITO DA LINGUAGEM JUVENIL Escuta-se diariamente, ao se tratar de diálogos com a juventude, uma busca frenética em busca da chamada “linguagem juvenil”. As produções de materiais educativos, dialógicos, técnicos e demais sempre apresentam esta preocupação. Mas, uma pergunta deve ser feita: O que significa a linguagem juvenil? Cada faixa etária tem uma linguagem específica para entendimento, contemplação e convencimento?  Não tenho a resposta para o que se passa em cada cabeça quando se fala e se trata desta busca, mas uma coisa não pode fugir de mim e nem de ninguém que atua tanto com linguagem quanto com a juventude. Primeira questão é: A juventude não é um estrato homogêneo que somente possui uma linguagem e, a partir dela, se consegue dialogar com todos os tipos de conteúdos e de conhecimentos acumulados pela humanidade. Outra questão é o que se espera da juventude quando somente pretende-se destinar para eles apenas um único tipo de linguagem. O que necessariamente não ...

Sem abraço minha cidade

Imagem
  Sem abraço minha cidade  Hoje sai para celebrar  No Canto Escuro se canta  No Oleiro se ressoa O que na Sede entoa No Gavião também se sente Hoje, meu povo está contente Celebrando mais um ano Mas, tá distante, resmungando  Com vontade de abraçar  Sem abraço, minha cidade  Hoje sai pra celebrar  O Samba de Roda no Poço  Guarda o Tambor e o pandeiro  Sem montaria no Limoeiro E sem arreios nos cavalos  O futebol, o baleado O dominó e a biriba  E as poesias de cada rima  Poucos risos nas meninas  Lamento triste a escutar  Sem abraço minha cidade  Hoje sai pra celebrar  No Travessao não pode festa  Na Bananeira sem torneio Assim o belo se faz feio Na Caboronga som não pode  No campos os pés não correm  E as redes não balançam  No Mocó uma esperança  Espera pra comemorar  Sem abraço, minha cidade Hoje sai pra celebrar  Na Santa Cruz, uma prece  Nos Paus Altos reunião...

O racismo não se manifesta. É manifestado.

Imagem
  O racismo não se manifesta. É manifestado  O mundo não é sem nós. Nos o fazemos e nomeamos nossas ações a partir dos nossos feitos. Pois, é. Fazemos coisas boas a plausíveis e também ações desprezíveis. Dentre estas está o racismo. É ponto comum a aceitação da existência do racismo no Brasil. Aliás, era. Pois, o vice-presidente da república, General Hamilton Mourão afirmou que no Brasil não há racismo. Assim sendo, abriu a possibilidade para os racistas à brasileira achar que somente é racismo se ocorrer na forma de apartheíd como nos Estados Unidos e na África do Sul. Desta forma, naturaliza o que ocorre no Brasil. Na Bahia o ACM chamava de bainaidade e no Brasil deve ter a equivalência semântica de... brasilidade. Aí estamos entre o ruim é o péssimo. Um que pratica o racismo e acha que faz parte da cultura e por isso não precisa de mudar e outro que acha que o racismo somente existe em sua forma mais explícita. Pois, para estes a assimetria que coloca gente preta em condiç...

De homem para homens

Imagem
  De homem pra homens Caiu uma através do martelo que deveria fazer a casa. Foi mais outra com a faca que fazia a comida. Mais outra com as mãos que acariciava... outra com a arma, que pra nada serve. O que há de intersecção nas armas usadas são ideias que sobrepõem as armas é a ideia do controle. O controle dos corpos delas. Está demais.  A ideia de deixar de amar ou não sentir-se atraída mais por nós não faz parte dos direitos de muitas mulheres mais. O privilégio do uso de corpos femininos, mais de um via de regra, se tornou num direito. Direto atestado pela horda machista que premia o macho que não suporta ser macho sem agredir a fêmea. Matamos.  O feminicídio se trata de uma das piores Chagas experimentadas em nossos tempos. Nos disseram em algum momento que os varões possuem a propriedade dos corpos das damas. E, desta forma, as coroas das damas vivem em nossos bolsos e sobrevivem em corpos amedrontados. Devemos ter coragem de dialogais sobre isso entre nós. As mulh...

A solidão do ensinante

Imagem
  A solidão do ensinante  O ensinante é um ávido pela aprendizagem do aprendente. Orientado pelo compromisso de ensinar ele se prepara. Organiza o que dizer, estuda, diz e quer aferir. Gosta de ver o aprendente aprendendo. Tirando dúvidas e indubitavelmente com o aprendizado realizado. O ensinante é um sonhador. Tem no sonho maior o aprendizado  do aprendente. Mas, ultimamente... Ultimamente desejo coragem ao ensinante. Desejo resilir. Desejo residir na certeza do aprendente. Desejo coragem em frente ao ensinante. Aliás, desejo o aprendente em frente ao ensinante. Ultimamente o ensinante está se sentindo sozinho. Seus quase 300 aprendentes estão sem olhos que marejam de alegria, sem voz discordante ou concordante, estão até sem rosto. É. No remoto não se vê os aprendentes muitas vezes. Muita coisa rodeia a vida do ensinante e do aprendente. Dentre estas o direito de imagem, o direito da câmara fechada, o direito de se quedar calado... o direito. Só não queda o direito do ...