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Uma ouvidoria que fala

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Uma Ouvidoria que fala. É no diálogo que as pessoas se fazem gentes. Esta máxima foi proferida por um dos maiores seres humanos que habitou esta terra e fez morada sobre ela. Não sob. Porque alguém da estatura de Paulo Freire não sucumbe com a despedida carnal. Ele é eterno e libertador para além dos tempos. Aproveitando Freire e sua defesa incansável do diálogo, aproveito para falar sobre o papel da Ouvidoria. Local de gestão que ocupamos neste momento. E, com este título sugestivo, um título que nos orienta a não ser o muro das lamentações, tampouco um local de oitivas, tão somente. Ou como é dito no popular no setor, "resolvederia". Mas, um lugar que deva servir para orientar e aprimorar os diálogos e conhecimento. E, sendo a segunda instância, uma vez que na primeira não se resolveu, a ouvidoria é um local de resolver o que a primeira instância não conseguiu cumprir sua função estratégica. Superar a ideia de que a Ouvidoria serve somente para prestação de queixa ...

Idosos e crianças são semideuses

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Idosos e crianças são semideuses Semi é uma especie de quase. Nesta acepção acima, um quase Deus. E, relacionando idosos e crianças, o quase é um todo. Explico. Um viu quase nada da vida. Por isso não sabe das dores e dos amores reservados. Não sente medo, angústia, decepções. Somente têm sonhos. As vezes. Acha que o perdão é uma constante e todas as pessoas são boas. Todas as pessoas. Não sente medo e nem sente raiva. Expressa seus dessabores pelas lágrimas. E ao expeli-las com elas também se vão os mais sentimentos. Tenho desconfiança da existência do amor em pessoas que não se alegra ao ver crianças. Por seu turno, aqueles e aquelas que já viram quase tudo, que já estão no terceiro turno da vida, por ter visto quase tudo, compreendem que é precisa calma. É preciso escuta. É preciso cuidado. Parcimônia. Entendem já que o poder bom é aquele que eleva a alma. Entendem que os segredos são importantes nas relações, porque eles geram confianças. (Não é à toa que os avós dão dinheiro ...

Servidor público não tem de ter empatia

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Gestores públicos não precisam de ter empatia Estamos no tempo do modismos pelas palavras. Elas correm solta às bocas miúdas, e grandes, muitas vezes de forma descontextualizadas e incoerentes. Especialmente as da moda. Por se falar em moda e incoerência me valho da palavra que qualifica o título deste texto: a empatia. Empatia é a capacidade de compreender emocionalmente um objeto. Tratá-lo a partir das condições psíquicas e comportamentais do indivíduo que a projeta. Ela, portanto, revela um traço da personalidade daquele sujeito acerca de assuntos, coisas, pessoas… uma decisão pessoal e unilateral. O uso desta palavra em contextos onde ela não deveria existir tem contribuído para o desgaste da mesma. Não é o uso que a fortalece, mas, o mau uso que a deteriora. Usá-la em repartições públicas para qualificar o sujeito atendente, servidor público e portanto gestor de tal política a qual representa, como um bureaucracy street-level (burocrata a nível de rua) é um equívoco. Mas, n...

Paulo Freire diria TodEs?

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Freire diria TodEs? É possível que sim. Mas, não somente diria Nos fins de 1970 já na Pedagogia da Esperança o escritor brasileiro mais lido no mundo deixou de utilizar o substantivo homem como um gênero neutro e incorporou falar mulheres e homens ou a seres humanos. Mas, além das palavras, Freire foi um defensor das ações. Das ações reflexivas. Freire cobrava a prática coerente com a proclamação verbal. Cobrava o rigor entre o que se fala e o que se faz. Logo, Freire poderia usar todEs possivelmente, mas, diria que não se trata somente de uma palavra, mas, de uma disputa política a partir da alteração da gramática normativa. Diria que a gramática é um feitura política de homens brancos, ricos e que necessita de adequação para caber mais pessoas. Mas, não ficaria nisso somente ainda. Cobraria dos que falam a coerência entre o todEs falado e as ações concretas para a inserção de todos os gêneros em todos as ações. Diria que somente saudar no início todas, todos e todEs e nem nas...

A maestria da Rede Globo e o BBB

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A maestria da Rede Globo e o Big Brother Brasil Ninguém é bom por muito tempo se não for muito bom naquilo que se propõe a ser. Não avalio aqui se o que se propõe a ser e faz se trata de ações benéficas para a humanidade. Mas, pode ser também. Neste caso é mais difícil porque entra às vezes o sentimento, irracional, inimigo número 1 da razão. Falo da articulação de ideias e estudos em torno de uma população e organização na escolha e seleção de pessoas que ficarão confinadas com características tal que fará a arrecadação da empresa aumentar. É isso. É sobre isso. A Rede Globo não está interessada em debates raciais, políticos, misóginos, libertadores ou qualquer outra coisa. Ela organizou o espaço para que a junção disso tudo gerasse (está gerando e gerará muito mais) arrecadação e assim poder noticiar também em momentos mais oportunos que “o mundo aumentou o número de bilionários.” É sobre isso. Para isso não é uma engenharia pequena que funciona. É preciso criar certo segredo ...

A educação pela coragem

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O patrono da Educaçao brasileira, Paulo Freire, nos fala sobre a necessidade da coragem ao fomentar e propor ações no campo educacional. Ele nos orienta que a educação não é um campo neutro e que não tomar um lado já é a tomada de um lado. O lado de quem vencerá. Via de regra, os gestores educacionais não tomam lado. Assim sendo, tomam sempre o lado dos mais fortes na educação. Num país marcado pelas assimetrias sociais como o nosso e pela hierarquização nas relações a isenção parecida nas tomada de lado real é marcado, recorrentemente, por posições em que os do andar de baixo sustentaram todo o sistema superior e foi o mais atingido pelas decisões tomadas no andar de cima. Algo parecido com o sistema francês e as relações entre o primeiro, segundo e terceiro Estado. A superação urge. E se homens e mulheres construíram assim. Homens e mulheres também podem reconstruir e fazer de outra forma. Os moradores do andar de baixo durante muito tempo foram chamados de serem sem luz. A po...

Casais longevos são amigos

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Casais longevos sao amigos. Ninguém convive com outra pessoas se não houver um compartilhamento de sentimentos comuns. Ocorre até alguns desaprendizados, outros aprendizados e criação de pontos de intersecções que tornam a vida a dois comum. Comum em seu sentido amplo. A ideia de unidade. É isso que sustenta relações por muito tempo. E mais: se tornam uno. Este desfazer que é difícil. Geralmente quando uma das partes do casal longevo é apartada pela partida de um dos dois o outro fica somente uma parte. uma parte menor que a parte em si ainda. Via de regra se ancoram em possibilidades de fugas. Dentre estas estas fugas está a religião. Porque engana-se quem acha que os filhos e netos substituem o ente que se foi. Estes ocupam outro espaço nestas vidas. Espaços ímpares e insubstituíveis também. E mais: casais antigos tem dificuldades grandes, quase impossíveis, de se relacionar com outras pessoas quando civilmente o encontro da vida com ela mesma ocorre. Acreditam ser ainda traiçã...