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É doutor. Mas, não cura

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É doutor. Mas, não cura Esta resposta é a das gentes dos quilombos que chegam ao doutorado. É da gente do quilombo que conseguiu dar uma cabriola na vida e ocupar o imaginável lugar de doutor. Não é o que desejaríamos falar. Mas, é o que nos permite informar melhor para os nosso e as nossas. Nosso povo aprendeu que doutor é médico é advogado. Isso fruto da colonização que sofremos para que brancos europeus tivessem títulos de doutor. Até hoje usam deste subterfúgio para serem doutores sem ser. Doutores sem ser poderia também nomear este texto. E eu poderia iniciar dizendo que doutores sem sem são as pessoas que passam por estas duas profissões já citadas. Mas, também poderia ser a informação que nosso povo nos observa. Tipo: doutores, mas, fora do entendimento do que foi informado como doutor. Mas, não somos os doutores que não curam. Muito pelo contrário. Curamos. E muito. Ah, como curamos!!! Curamos as feridas que ainda não cicatrizamos de mais de três séculos de escravidão e d...

A remoção como meta

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O deserto da docência e a remoção como prática O deserto, substantivo, é um lugar onde não há ninguém e nem nada. Desertar, verbo, é evadir-se de um local. Migrar. Desertar na linguagem contabilística e de pregões é ninguém desejar. É enjeitar. Estas e outras categorias representativas servem para ilustrar o que ocorre na rede pública de educação no Estado da Bahia em relação aos professores, coordenadores pedagógicos e outros e outros profissionais investidos em concursos públicos. Não falo de outro local porque não conheço. Portanto, somente cito a Bahia. As pessoas que tentam concursos públicos escolhem os municípios menores não para garantir educação e presença docente nestes lugares. Muito pelo contrário. Em sua maioria escolhem pelo sentido contrário. Pela negação. Pelo uso destes lugares como se pouco importantes fossem. De fato, para estas pessoas, são. Não alinho por baixo e incluo todos. Mas, quase todos, maioria absoluta, fazem nesta perspectiva. Fazem para negar o lo...

A hermenêutica da juventude brasileira

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Juventude e ações finalísticas: a hermenêutica do movimento estudantil Este texto terá como perspectiva avaliar brevemente ações promovidas pelas juventudes partidárias no Estado da Bahia em duas vertentes. A primeira é a participação deste segmento no governo e a segunda no tocante à mobilização eleitoral. Esta análise se dará com um recorte analítico sobre estas duas temáticas, na interpretação da juventude e na promoção de ações para chegar, convencer e conquistar o segmento mais amplo de todas as juventudes. A juventude partidária brasileira tem o cordão umbilical no movimento estudantil. A partir deste lugar é que muitos políticos do campo da esquerda chegaram a conquista de cargos eletivos e de gestão. Por conta disso, a experimentação de outras possibilidades interpretativas da juventude não são observadas ou são poucas observadas quando se pensa nesta promoção. Ocorre que nem todos os jovens são estudantes e nem todos os estudantes são jovens. E cada vez mais outras con...

A Favela venceu?

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A Favela venceu? Não. Assim Favela não vence. Esta frase “A Favela Venceu” tem sido muito utilizada por algumas pessoas moradoras (ou ex-moradoras) das Favelas para exprimir que seu crescimento pessoal representa um sentimento de toda uma coletividade que é a favela. Lamento informar para os que acreditam nisso. Mas, assim Favela não vence. Assim a favela perde. O fato de um integrante da favel a galgar espaços que todos da favela não acessam e não ser por um sentimento e conquistas coletivas não significa um triunfo da favela. Um carro que um favelado conquista para o seu uso pessoal e de sua família não significa por si só uma expressão de êxito real da favela. A favela vence enquanto coletivo, em se tratando de mobilidade, é quando se tem diversos modais de transporte com preço acessível ou até mesmo gratuito para todos os moradores da favela. Assim a favela vence. Ou que todos e quando não, a maioria consegue ter o seu veículo para locomoção. Vence porque não é somente o que s...

Eu era a juventude

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Eu era a juventude Nos espaços de gestão pública na Bahia por onde passei atuando com a pauta de promoção de políticas públicas para a juventude eu me tornei a juventude. Este reposicionamento substantivado pronominal não se deu por conta da pauta. Mas, necessariamente, por uma construção de indefinição do sujeito. Eu não era um sujeito. Eu era uma coisa. E as coisas se nomeiam de qualquer forma. Logo, metonimizar-me foi a forma mais fácil de não esquecer o que eu representava. Não eu. Eu, continuava um ninguém que representava um nada. A pauta de juventude é algo novo e ainda não gozador de direitos totais, ainda que positivado pela lei. Ralei para ter um nome. Um nome de de nove letras, de quatro letras ou de duas letras. Consegui ter. Refletir a caminhada deve servir para ajudar a gente a seguir caminhando. Para orientar por onde abrir os caminhos, para quem e as formas que estes caminhos podem e devem ser abertos e quem deve caminhar por eles. Saber da caminhada. Não sou mai...

Do invasivo ao brilhante

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Do invasivo ao brilhante: uma soma de preconceitos embutidos Os corpos interseccionados sobrevivem sobre um embaralhamento diário de representações. Falo das interseções que a sociedade ideias e já escolheu o não lugar para estas existências. Lugares como limpar o chão, fazer a comida, procurar empregos, ser encarcerado, morrer moderno. Moderno, inclusive, como atributo da modernidade. Estes são a naturalização dos corpos pretos no Brasil. Quando estes corpos pretos trazem consigo outras idiossincrasias aí aumenta um pouco mais e forja nas mentes das pessoas uma espera destes. Espera sempre o menos e o pior. Espera p silencio, que a voz assuta. Espera a subserviencia que a proatividade fere. Se se juntar o fato de ser roceiro, pobre, gay, mulher, jovem, macumbeira… aí é que a cada soma diminui-se a expectativa sobre estes corpos. Estes nao são corpos amaveis. No Brasil a partir do preto os demais somente somam. Por esperar pouco destes corpos as vezes quando um ou outro se sobre...

Uma ouvidoria que fala

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Uma Ouvidoria que fala. É no diálogo que as pessoas se fazem gentes. Esta máxima foi proferida por um dos maiores seres humanos que habitou esta terra e fez morada sobre ela. Não sob. Porque alguém da estatura de Paulo Freire não sucumbe com a despedida carnal. Ele é eterno e libertador para além dos tempos. Aproveitando Freire e sua defesa incansável do diálogo, aproveito para falar sobre o papel da Ouvidoria. Local de gestão que ocupamos neste momento. E, com este título sugestivo, um título que nos orienta a não ser o muro das lamentações, tampouco um local de oitivas, tão somente. Ou como é dito no popular no setor, "resolvederia". Mas, um lugar que deva servir para orientar e aprimorar os diálogos e conhecimento. E, sendo a segunda instância, uma vez que na primeira não se resolveu, a ouvidoria é um local de resolver o que a primeira instância não conseguiu cumprir sua função estratégica. Superar a ideia de que a Ouvidoria serve somente para prestação de queixa ...