Postagens

Tatiana Veloso: a grandeza da simplicidade

Imagem
Tatiana: a grandeza da simplicidade - “Eu tava com medo de ela vir pra posse com aquelas camisas de algodão que ela anda”. Me disse uma amiga sobre a posse. Eu respondi: - que bom. Bom que o medo que paira no ar é de que teremos alguém que tem na essência e nas ações o respeito, alguém que as vestes e títulos são somente detalhes. Que o medo da vergonha está onde jamais se deve ter medo e vergonha, sim orgulho. Assim conversamos, brincamos, rimos. Nos emocionamos com a cena. Uma das mais marcantes da história da Bahia. Mas, ela tava impecável organizada com os bordados das quilombolas. Sendo ela com certeza seria dos quilombos. E será, na maioria das vezes. Falávamos da professora Tatiana Velloso. Primeira-Dama do Estado da Bahia. Hoje é somente a primeira. Mas, sempre foi Dama. Assim mesmo. Em letras maiúsculas. Porque ela sempre foi substantivo. SubstantivA. Tatiana ostenta consigo a simplicidade da grandeza que, se falarmos de grandeza da simplicidade da na mesma. Como na mat...

Combater a fome é nomear os ninguéns

Imagem
Combater a fome é nomear os ninguéns ninguéns. Escrito assim mesmo. Em letras minúsculas. Para situar o tamanho e importância que se é destinada aos esfomeados. ninguéns, cujos apelidos são maiores e mais conhecidos do que os nomes. Lula não seria Lula se tivesse nascido na abundância da comida. Sim. Ter comida diante de quem não tem é abundante. Logo, ter como meta o combate à fome é ter coragem de dar nome a gente sem nome. Gente sem nome literalmente. Pois, falei de gente conhecida pelo apelido. Mas, vou mais longe. Gente que somente tem o apelido como nome. Gente sem registro de nascimento. Gente não gente para o Estado. Gente que chamamos de gente por um capricho dos olhos que orientam a nossa fala mas, não toca em nossos sentidos no sentido político de sentir. Tipo; ver e não enxergar. São estas as gentes que a política de combate à fome tem por Sul. Isso mesmo. Por sul. Porque quem produziu e se locupletou da fome nos disseram que devemos ter nortes. Se nortear por aqui ou p...

O desprezo pela juventude

Imagem
O desprezo pela juventude A juventude tem sido um instrumento dos adultos para satisfazer seus desejos. Já disse antes em outros textos. Antes de mim outras pessoas disseram já também. Dentre eles o Bourdieu naquela famosa frase cujo titula o texto: “A juventude é apenas uma palavra”. Mas, mesmo já tendo dito eu necessito de redizer. Redizer para não reduzir. Ou melhor, para ajudar a reduzir menos. Pois, redução juvenil não se trata de um equívoco, mas, de um projeto. Um projeto de sustentação do adulto. Algo parecido com as classes sociais, em que as de baixo sustentam as de cima achando que está sendo beneficiadas. A juventude tem sido isso no Brasil. Não trabalhar as possibilidades de inserção das juventudes nos governos sobre o pretexto de não caber em tal área tem sido a máxima da justificativa da não inserção. Quando muito, cria-se um espaço para a juventude nos governos e, de forma equivocada, orientada por uma formação da servidão a juventude pede um espaço finalístico p...

É doutor. Mas, não cura

Imagem
É doutor. Mas, não cura Esta resposta é a das gentes dos quilombos que chegam ao doutorado. É da gente do quilombo que conseguiu dar uma cabriola na vida e ocupar o imaginável lugar de doutor. Não é o que desejaríamos falar. Mas, é o que nos permite informar melhor para os nosso e as nossas. Nosso povo aprendeu que doutor é médico é advogado. Isso fruto da colonização que sofremos para que brancos europeus tivessem títulos de doutor. Até hoje usam deste subterfúgio para serem doutores sem ser. Doutores sem ser poderia também nomear este texto. E eu poderia iniciar dizendo que doutores sem sem são as pessoas que passam por estas duas profissões já citadas. Mas, também poderia ser a informação que nosso povo nos observa. Tipo: doutores, mas, fora do entendimento do que foi informado como doutor. Mas, não somos os doutores que não curam. Muito pelo contrário. Curamos. E muito. Ah, como curamos!!! Curamos as feridas que ainda não cicatrizamos de mais de três séculos de escravidão e d...

A remoção como meta

Imagem
O deserto da docência e a remoção como prática O deserto, substantivo, é um lugar onde não há ninguém e nem nada. Desertar, verbo, é evadir-se de um local. Migrar. Desertar na linguagem contabilística e de pregões é ninguém desejar. É enjeitar. Estas e outras categorias representativas servem para ilustrar o que ocorre na rede pública de educação no Estado da Bahia em relação aos professores, coordenadores pedagógicos e outros e outros profissionais investidos em concursos públicos. Não falo de outro local porque não conheço. Portanto, somente cito a Bahia. As pessoas que tentam concursos públicos escolhem os municípios menores não para garantir educação e presença docente nestes lugares. Muito pelo contrário. Em sua maioria escolhem pelo sentido contrário. Pela negação. Pelo uso destes lugares como se pouco importantes fossem. De fato, para estas pessoas, são. Não alinho por baixo e incluo todos. Mas, quase todos, maioria absoluta, fazem nesta perspectiva. Fazem para negar o lo...

A hermenêutica da juventude brasileira

Imagem
Juventude e ações finalísticas: a hermenêutica do movimento estudantil Este texto terá como perspectiva avaliar brevemente ações promovidas pelas juventudes partidárias no Estado da Bahia em duas vertentes. A primeira é a participação deste segmento no governo e a segunda no tocante à mobilização eleitoral. Esta análise se dará com um recorte analítico sobre estas duas temáticas, na interpretação da juventude e na promoção de ações para chegar, convencer e conquistar o segmento mais amplo de todas as juventudes. A juventude partidária brasileira tem o cordão umbilical no movimento estudantil. A partir deste lugar é que muitos políticos do campo da esquerda chegaram a conquista de cargos eletivos e de gestão. Por conta disso, a experimentação de outras possibilidades interpretativas da juventude não são observadas ou são poucas observadas quando se pensa nesta promoção. Ocorre que nem todos os jovens são estudantes e nem todos os estudantes são jovens. E cada vez mais outras con...

A Favela venceu?

Imagem
A Favela venceu? Não. Assim Favela não vence. Esta frase “A Favela Venceu” tem sido muito utilizada por algumas pessoas moradoras (ou ex-moradoras) das Favelas para exprimir que seu crescimento pessoal representa um sentimento de toda uma coletividade que é a favela. Lamento informar para os que acreditam nisso. Mas, assim Favela não vence. Assim a favela perde. O fato de um integrante da favel a galgar espaços que todos da favela não acessam e não ser por um sentimento e conquistas coletivas não significa um triunfo da favela. Um carro que um favelado conquista para o seu uso pessoal e de sua família não significa por si só uma expressão de êxito real da favela. A favela vence enquanto coletivo, em se tratando de mobilidade, é quando se tem diversos modais de transporte com preço acessível ou até mesmo gratuito para todos os moradores da favela. Assim a favela vence. Ou que todos e quando não, a maioria consegue ter o seu veículo para locomoção. Vence porque não é somente o que s...