NÃO É A COMUNICAÇÃO. É A POLÍTICA: DIALOGOS SOBRE PODER E DECISÃO NA GESTÃO PÚBLICA
“As letras servem de ornamento na prosperidade e de consolo da desgraça”. Assim falava sobre a política o filósofo Aristóteles. O tratar sobre a comunicação como instrumento não é somente uma negação da importância dela em todas as possibilidades de relações humanas e sobre uma ferramenta de conquista e manutenção do poder. Digo uma das porque não é a única. Em todos os momentos da humanidade a comunicação sempre foi um grande instrumento do poder. E sua negação não é inverdade para a derrocada. Mas, foi e ainda é uma ferramenta. E não a única. Há sociedades que se mantem até hoje com o uso da força para a manutenção do poder e a persuasão se dá pela forma de coerção. Maquiavel ao tratar disso dizia que: “os homens devem ser conquistados ou aniquilados”. Logo, ultrapassa o poder persuasivo da comunicação a conquista e manutenção do poder. Mas, nas democracias. Ela é a maior arma política para a disputa e manutenção do poder. Entenda-se democracia de Tockevile a Fidel Castro.
Isso posto, nos orienta que, por um lado não se pode cobrar das Assessorias de Comunicação a resolução de problemas que não lhe cabe e querer que a falta de política seja resolvida pela comunicação, que não deve ter esta atribuição. Por outro lado também não pode se desejar que a comunicação dê o tom da política. Por uma ou por outra via, esta posição se trata de um caminho ao fracasso.
Sun Tzu em seu livro clássico A arte da Guerra diz: “aproveita tudo o que veem e que ouvem”. A Arte da Guerra não se trata de um livro de comunicação. Mas, de ciência política. Mais do que isso: de estratégia de guerra. E o que isso nos orienta? Nos diz que é a arte da política que orienta o observado pela visão ou pela audição ou outro meio de comunicação. É ela quem fará uso do que a comunicação captar. É pela política que o mundo gira. E, nenhuma das ciências será maior do que ela. Ciência e Política em Weber são duas vocações. Mas, a política orienta a ciência e as demais vocações também.
A comunicação se trata de uma ferramenta da política que necessita de ser usada a partir de um Planejamento Estratégico e de uma decisão política. Uma decisão epistêmica. Em Maquiavel, o Poder, José Nivaldo Junior nos informa que “uma guerra ganha com estratégia, tática e comunicação”. E o que é a comunicação se não uma constante guerra?
Gramsci tratava também sobre Guerras de Posição e Guerras de Movimento ao dialogar sobre hegemonia. É a disputa de hegemonia a que a comunicação (agressiva sempre. Toda comunicação é ou deve ser agressiva) faz diariamente a partir de uma decisão política. Se a comunicação não disputa a hegemonia de nada ela serve. E se disputa a hegemonia, corretamente, ela é, necessariamente agressiva à quem está do outro lado. Comunicação não é neutra. Ela tem lado. E quem tem lado tem uma posição política e lado axiológico. Sigamos!
Jocivaldo dos Anjos
02/04/2020

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